Azul e louca rasga a corrente;
finge, pequena, demasiada pressa.
Pousa em abrigos afastados ao seu, para que nenhum moleque perverso arranque do sossego de seu lar sobre nossas cabeças.
Grita, acuada.
Já é chegado o outono,
não seria hora de buscar a outra metade do hemisfério?
Algumas lembranças só precisam ser, sem que haja nelas aparente significância.
06 abril, 2010
Ele - espelho vento rio
Poderia, aquela que o ama, esperar que os ventos criassem em teu lago ondas tais quais a de um oceano. No entanto, ao inclinar-se sobre as águas, vê-se refletida na calmaria desejada. É o mesmo, o desejo que o mantém confortável na brisa e o que o incentiva à tempestade. E se não sabe quanto deve deixar-se soprar é porque aquela que o ama te respira e te sufoca.
30 março, 2010
A vida, os limões e a vida.
Só por um instante, perceba: é fácil viver. Não há tarefa que a substitua nem outra mais fundamental, mas como é simples. O indivíduo, sendo ele vivo, quando foi que se prontificou a existir. E, mesmo não tendo escolhido, o faz. Pois é esta a maior escolha: permanecer vivo.
Quanto vale uma vida? Quanto vale cada uma das bilhões de semelhantes almas inocentes que jamais escolheram existir, mas passaram/passam/passarão a ser sem que este sentimento lhes pertença? A vida é, literalmente, enquanto dura. É uma fruta fadada a apodrecer desde sua semente, nem sempre madura, nem sempre doce, por vezes arrasada por alguma praga tão imprevisível quanto sua própria existência.
A vida não é uma metáfora, não se pode prever, não se deveria planejar. A vida é agora, enquanto meus dedos adormecem tentando acompanhar o ritmo do que penso. A vida é o respirar e o bater do peito, simultâneo e assincrônico. A vida é involuntária. Existe e é sempre a mesma para todos, mas se desnorteia em cada detalhe e circunstância ocorrido, não previsto e aleatório, já norteado por outra vida anterior: limões.
Alguns fazem limonada, alguns atiram limões na água, alguns trocam seus limões por outros. Usam limões como arma nos olhos do inimigo. Jogam fora - e limão, por acaso, é recurso que se ofereça a alguém? Nada, no entanto, é inteiramente subjetivo. As escolhas, os julgamentos, mesmo esse pensamento confuso e desconexo pode ser explicado logicamente, se houvesse matemática que abrangesse a vida. Não há escolha nem nas palavras que penso escolher; tudo é condicionado ao que sou ou ao que me tornei em função de meus limões. A inusitada vida não é uma metáfora.
A vida não acaba: ela se esgota em seu espaço individual e semeia sua essência em outras tão aleatórias ilusões. A vida passou e continua agora, enquanto permaneço aqui. Ainda tenho limões, um respirar e um bater no peito. Não é agora, mas será um dia. Não importa: a vida é o durante.
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D'aqui.
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