13 janeiro, 2009

Fosse eu.

Soubesse eu falar, amigo, diria das minhas angústias. Mas se não sei, espero que doa desesperadamente, até que grite em meus olhos a solidão. E quão doloroso será esperar, amigo, para quem já tanto sofreu. Quando voltas? Quando vens?

Há tanto e tanto que eu não posso explicar. As esperanças não faltam, mas gotejam inutilmente nesse coração inerte. Nem bate o peito diante da vida, nem pulsa a vida diante de mim.

Já se foi o tempo das varandas, o cheiro dos porões e dos assoalhos mofados. Partimos por caminhos tão diversos, nos espalhamos, nos dissipamos, nos perdemos. Nem a mesma língua falamos e os gestos não mais se encaixam. Nem conhecidos somos mais.

Pois, amigo, eu vi a lua. Ainda se esconde e me inspira devaneios. Mas vejo sempre na lua o meu reflexo disforme. A lua está sozinha. A lua está minguando.

3 comentários:

Ana Maria disse...

Ah Martinez, fosse eu uma lembrança de conversas intermináveis e sorrisos sem fim. Saudades, sempre.

Vinícius Remer disse...

Amigos sempre são bons e por alguns poucos e verdadeiros, vale a pena dizer linda palavras como as suas...

(Marta Selva) disse...

lindo demais. poesia de ficar calado no fim.
;*