29 setembro, 2009

Mãos dadas

Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

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Alguns poemas são, por essência, eternos. A eternidade, no entanto, não se justifica pela mão que os escreve, mas pela mente que o recorda. "Mãos dadas" era em mim um poema esquecido. Ao relê-lo, no entanto, me vieram à mente todos os meus amigos, inacreditavelmente unidos a mim, todos de mãos dadas.


Agradeço-os, pois me sinto abraçada.


Alana-Mariana-Diana-MariaHelena-Vitor-LuizFelipeLeal-Lúcia

2 comentários:

Dica disse...

Gosto quando vem até mim, de mansinho, depois de dias que parecem anos sem falar comigo.

Eu amo ter você.
E mesmo que distante eu nunca afasto meus pensamentos dos teus.

Maria Helena disse...

De mãos dadas, minha querida amiga, de mãos dadas.