30 julho, 2010

(sem título XXI)

Flamejantes verdades se acendem no decorrer da noite.
A alegria justificada não demanda paz, sequer motivo.
A vida acontece
breve, calorosa e tardia.
Luminescente incógnita cujo tempo é o instante do agora.
É mais fácil sobreviver morando em um bolso que em um coração.
Melhor não ser nada no mundo,
melhor não ter foco.
Melhor deprimir que amar.
Melhor silenciar.
A poesia está além da perspectiva invisível, a poesia não é subjetiva.
Mais que a lembrança (e)terna,
surge o riso e o sorriso indecente diante da injúria.

A vida não acabou,
mas bem que poderia.
Cada passo diz bem mais que uma tarde inteira, mas não é tudo.
É um registro eterno do que morre
e de só fazer sentido enquanto morre.
Mas é esta a certeza que falta à vida, o avesso não é a morte.

Um comentário:

D i c a disse...

Ainda assim ousamos viver, amar.
Somos tão pequenos, Tha, tão tão.

Adoro quando escreve assim: firme, latejante, angustiada, incompreendida. Eh tão forte!

"A vida acontece
breve, calorosa e tardia.
...
É mais fácil sobreviver morando em um bolso que em um coração.
Melhor não ser nada no mundo,
melhor não ter foco.
Melhor deprimir que amar.
Melhor silenciar."

Te invejo por estas palavras.
Te amo tambem por elas.