22 setembro, 2008

Afeto

É necessário admitir
(primeiro, para ser sincero
e, depois,
ser passível de pena)
que tudo em mim transpira lágrima, chora um pouco e dói.

Que seja ainda por orgulho que eu mantenha meu sorriso.
Eu sou humano, também.
Eu não me importo, também.
Há mais do que dor para sentir.

Saudade, que saudade
da sua íris em flor.

Eu te prometo que quando pouco for suficiente nos veremos.
Mas ainda quero muito, e quero mais.

No vento eu te levei um recado;
que ele te tenha passado
muito mais do que eu pedi.
No medo entendi meu pecado;
que ele seja perdoado
por todos a quem feri.

"Deixe que eu te ensine a viver?", murmurou o amor ao telefone.
"Deixo não!", eu pensei.
Eu queria mesmo era não precisar deixar
e gritar:
"Me toma sem pedir,
me leva, me deixa ir!"

É necessário admitir
(primeiro, para ser correto
e, depois...
sem ser mais nada)
que tudo em mim transpira dádiva, brilha um pouco e ama.

2 comentários:

Luísa disse...

pensei no título do seu blog nas primeiras estrofes. e lá estava ele na última.
sabe, eu também acho que amor não tem que pedir. tem que te arrebentar e arrebatar sem pedir licença.

felipe disse...

Assaz épico.