03 setembro, 2008

Estrada

Eu, cá, me comportando como louco.

De uma inconseqüência tão vadia que sequer serve para impactar. Essa imprestabilidade, essa alma abstrata e dubitável, essa intuição perdida. Tudo, absolutamente tudo, incomoda. Por não ter o que dizer, por não caber-se em palavras, por não haver motivo. Seco, sufocado. Sufocado...

Eu olho pra estrada, a estrada nem me vê. Eu me sento, eu desisto, porque é isso que eu faço de melhor. O sol queima, e eu penso em nem me importar com isso. Não há de ser grave. E há instantes que eu deliro de fome, de sede, de calor. Mas isso tudo é sensação. Vai passar.

E porque cada segundo é aterrorizante e eterno, não passa. E não me recordo mais o que faço aqui. Nunca houve um motivo, creio. É o dilema da estrada.

Se caminhar, eu me perco. Talvez não encontre o que procuro, talvez eu definhe. Se eu parar, acaba. E eu vou ficar preso às possibilidades, ao meu pensamento incessante e travado, que não entende meu não-caminhar. É triste. É real.

E não é metáfora. A estrada existe e está aqui, diante de mim. Eu, aguardando um pretexto pra caminhar. Ela, aguardando para engolir meus passos. Não é metáfora, é pior. É minha vida caminhando sem mim.

2 comentários:

Diana Borges disse...

É minha vida caminhando sem mim*
.. ela sempre caminha
podemos assistir o seu caminhar, ou nela caminhar.

Muito bom texto.
Confuso, as vzs nem faz sentido.

Vinícius Remer disse...

é sua vida, mas
sua estrada não tem pedras.
Siga sem medo.
Vida!Viva!