08 novembro, 2008

um final de Distância e um início de Saudade...

A distância cria parâmetros que não existem. É como o tempo, ou o espaço. Ou como deus. São conceitos jogados na alma que parecem resolver problemas. O tempo cria as regras e as marcações do que jamais poderá ser contado ou marcado. O sentido de espaço limita algo excessivamente livre. E deus está sempre onde deve estar, fazendo o que deve fazer. E é sempre um alívio pensar que o tempo é contado, o espaço é limitado e deus existe. E a distância?

A distância também é um alívio. Ela desobriga à verdade ou à mentira. Não existe medo. Existe, sim, uma inconstância de sentimentos. Mas a distância é sempre solução. É sempre a motivação para o perto. É fato também que a distância permite grandes encontros. E permite fazer amigos de lugares desconhecidos. Goiás. Mato Grosso. Rio Grande do Sul. São Paulo. Espanha. São espaços que conheço através do olhar de quem não conheço. Mas são próximos e sempre bem-vindos. Não têm defeitos, têm humanidades aparentes, mas pouco notáveis. E amo. Abraços, inclusive. E a saudade?

É através da falta que a saudade se estabelece, indiferente à distância real. Porque, segundo conceitos matemáticos, físicos ou sei lá quais, a menor distância entre dois pontos é uma reta. Já pensou nisso? Uma reta... A saudade sempre faz curva. Ou entra por um ponto de um buraco negro e chega logo no outro. Como a saudade é bela. É cheia de encantos e facetas. É quase uma entidade absoluta. Será que não é? Não existia nenhuma deusa grega da saudade? Poderia ser uma bela mulher esguia, sempre vestida com leves roupas, que ia sempre onde os ventos a levassem. Por ter uma paixão tresloucada por Zeus, a ciumenta e soberana Hera a condenou a viver longe de seu amado. Se divertia separando pessoas que se queriam de alguma forma. Sempre vagava na companhia de Dionísio e, quando meio alterada pelas graças etílicas, se punha a chorar aos pés de Héstia. Seu nome? Se meu grego enferrujado não me engana, é algo como Disponidéia...

Mas a saudade-sentimento é sempre vinculada à distância. Não sei se para que saudade seja sofrível, ou só para que ela consiga existir. Quem sabe? Talvez Disponidéia.

Um comentário:

Diana Borges disse...

SInto saudade, choro de saudade, morro de saudade.